Ozempic, Wegovy e Mounjaro aparecem com frequência nas conversas sobre diabetes e obesidade. Embora sejam relacionados, eles não são produtos idênticos e não devem ser escolhidos apenas pelo relato de outra pessoa ou pelo número de quilos mostrado em uma rede social.
Ozempic e Wegovy contêm semaglutida, um agonista do receptor GLP-1. A diferença está nas indicações, nas apresentações e nas doses utilizadas. No Brasil, Ozempic é voltado principalmente ao diabetes tipo 2, enquanto Wegovy é a apresentação aprovada para controle crônico do peso em pessoas que atendem aos critérios clínicos.
Mounjaro contém tirzepatida. Além do receptor GLP-1, ela também atua no receptor GIP. Em junho de 2025, a Anvisa ampliou a indicação do Mounjaro para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou com sobrepeso acompanhado de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso.
O que os estudos mostram?
No estudo STEP 1, a semaglutida 2,4 mg, associada a mudanças no estilo de vida, produziu perda média de 14,9% do peso em 68 semanas, comparada a 2,4% com placebo. É importante observar que essa foi a dose da apresentação para obesidade.
No SURMOUNT-1, a tirzepatida produziu perdas médias entre 15% e 20,9% em 72 semanas, conforme a dose estudada. Mais recentemente, o SURMOUNT-5 comparou diretamente as doses máximas toleradas das duas moléculas em adultos com obesidade sem diabetes: a perda média foi de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida.
Esses resultados ajudam a entender a eficácia média, mas não escolhem o medicamento para uma pessoa específica. Estudos têm critérios de entrada, doses e durações definidas. Na vida real, tolerância, doenças associadas, contraindicações, custo, disponibilidade, resposta individual e capacidade de manter o tratamento também importam.
O "melhor" medicamento depende da pergunta
Se a única pergunta for qual produziu maior perda média de peso em uma comparação direta, a tirzepatida apresentou vantagem. Mas um médico pode estar avaliando outras prioridades.
A semaglutida possui evidência robusta de redução de eventos cardiovasculares em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida. O Ozempic também recebeu indicação relacionada à proteção renal em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.
A tirzepatida demonstrou resultado expressivo na redução da progressão do pré-diabetes para diabetes, além de benefício em apneia obstrutiva do sono associada à obesidade. Em pessoas com diabetes e doença cardiovascular, foi não inferior à dulaglutida para eventos cardiovasculares, mas não demonstrou superioridade estatística nesse desfecho.
Por isso, transformar a comparação em uma disputa de marcas empobrece a decisão clínica. O medicamento precisa ser adequado à pessoa, não apenas popular no momento.
Como acompanhar uma escolha individualizada
Depois da prescrição, o histórico de resposta ajuda o médico a entender como o organismo está reagindo. Vale registrar:
- medicamento e dose prescrita;
- data e local de cada aplicação;
- peso e circunferências ao longo do tempo;
- fome, saciedade e ingestão alimentar;
- hidratação e atividade física;
- sintomas e sua relação temporal com as aplicações;
- exames solicitados pela equipe.
O MeuMON permite reunir essas informações em uma linha do tempo visual. O paciente não precisa depender de anotações soltas, e a equipe consegue analisar a jornada com maior contexto quando a conta está vinculada à clínica.
O aplicativo também ajuda a manter o foco no tratamento prescrito. Ele registra o que foi orientado pelo profissional, mas não determina qual medicamento usar nem qual dose aplicar.
A decisão certa é construída, não copiada
Semaglutida e tirzepatida são ferramentas importantes, mas não são intercambiáveis em qualquer situação. A escolha começa com uma avaliação médica, continua com observação estruturada e pode ser revisada conforme resposta, segurança e objetivos clínicos.
Já faz tratamento acompanhado? Use o MeuMON para manter doses, medidas, sintomas e exames organizados em uma única jornada.
Aviso: este artigo não recomenda uma marca ou medicamento. Medicamentos sob prescrição não devem ser iniciados, trocados, aumentados ou interrompidos sem orientação médica.
Referências
Conteúdo informativo da equipe meuMON. Não substitui uma avaliação individual por profissionais de saúde. Como produzimos nossos conteúdos.



